O mito do exercício físico

Jim Fixx, o guru do running morreu em 1984 de ataque cardíaco durante o seu jogging, em Vermont. Tinha 52 anos.  O autor do livro “The complete book of running”, um best-seller editado em 1977, tinha deixado de fumar dois maços de cigarros por dia há 17 anos, e pesava menos 27 kgs, muito aquém do seu peso de 1967 que era de 110 kgs. (Jim Fixx Wikipedia).

Jim Fixx, abraçou o running com a convicção de que o exercício físico, sem fumar, era suficiente para se ser saudável. A autópsia revelou aterosclerose nas coronárias (artérias que irrigam o coração). A primeira das artérias estava bloqueada a 95%, a segunda 85% e terceira 70%.

Em 1986, Kenneth Cooper, outro apologista do exercício e autor de outro best-seller, “Aerobics”, publicou um conjunto de factores de risco que terão contribuído para esta morte, entre os quais a predisposição genética, já que o pai de Jim tinha falecido com 43 anos também de ataque cardíaco. Seria só predisposição genética?

Mais recentemente, a 19 de Março de 2004, aos 51 anos, o inventor da “Power Bar”,uma barra energética à base hidratos de carbono também faleceu de ataque cardíaco. Brian Maxwell também era um corredor de maratonas, tal como Jim. Em 1977, Brian chegou a ser classificado como o número 3 dos maratonistas pelo “World Track and Field News”. A invenção da “PowerBar” surgiu quando o maratonista teve que desistir de uma maratona de 26,2 milhas ao fim de 21 milhas, altura em que o corpo, segundo alguns “experts”, deixa de usar hidratos de carbono e passa a usar tecido muscular, mas na realidade tal só acontece se o corpo não estiver preparado para usar gordura. Mais uma vez, só haverá necessidade de hidratos de carbono no caso do corpo não estar preparado/educado para usar gordura. Veja-se o caso de Tim  Olson que venceu uma  ultramaratona com uma dieta alta em gordura e baixa em hidratos de carbono.

Desde o primeiro livro de Kenneth Cooper, antigo médico da Força Área Americana, o mundo foi progressivamente assimilando a ideia de que para ser saudável era necessário fazer exercício físico. É certo que ser sedentário também não é saudável, mas passar horas no ginásio ou correr maratonas muito menos será. O essencial, o fundamental para ser saudável, é a alimentação. Fazermos a alimentação para a qual a máquina humana está preparada durante anos de evolução, ou seja, a alimentação primal, do paleo, da idade da pedra, ou do homem das cavernas.  A perspectiva evolucionária também se aplica ao exercício físico. Será que os nossos antepassados que viveram há milhares de anos, que eram caçadores recolectores, faziam exercício físico equivalente a maratonas, meias-maratonas, horas diárias no ginásio? Não me parece. Esses antepassados esforçavam-se para caçar, mas não dessa forma extenuante.

Em 1984 o médico Henry A. Solomon, cardiologista que estava na “Cornell University Medical College, escreveu o livro “The Exercise Myth”. O livro continua a ser bastante actual porque:

– O exercício físico não faz perder peso. Ajuda, mas não é fundamental. O fundamental é a alimentação. Veja a explicação neste site em insulina e em calorias erradas. Como exemplo, o meu pai tinha 76 anos em Março de 2011 e pesava 92kgs. Seguiu e segue a dieta indicada neste site e pesa actualmente, em Novembro de 2012, 74kgs. Com 76 anos não foi a fazer exercício físico que perdeu peso. No primeiro mês perdeu 10kgs. A dieta é para sempre e portanto ele contínua.

– O exercício físico não é fundamental para sermos saudáveis. Ajuda, mas o fundamental é a alimentação. Não podemos ser sedentários, bastarão algumas caminhadas diárias de 20 minutos.