Será o Alzheimer a diabetes do tipo 3?

AlzheimersComparison

      Cérebro normal      Cérebro com Alzheimer

A doença de Alzheimer – Uma doença degenerativa, incurável e uma fase terminal de demência. Sendo uma das doenças mais temidas para os e nos idosos, embora possa aparecer nos mais jovens. O seu nome deve-se ao médico alemão Aloysius “Alois” Alzheimer.

 De acordo com este artigo EJIM – Nutrition and Alzheimers Disease publicado no jornal “European Journal of Internal Medicine”, com o título “Nutrition and Alzheimer’s disease: The detrimental role of a hight carbohydrate diet”, a alimentação pode desempenhar um papel fundamental na prevenção e tratamento desta doença.

 O principal aspecto deste artigo está em apontar para o facto de uma dieta alta em hidratos de carbono, principalmente fructose, e ainda baixa em gordura e colesterol, serem os principais contributos para o aparecimento deste tipo de doença.

 Alzheimer e Colesterol

 Os autores do artigo realçam a importância dos níveis de colesterol no cérebro de forma a manter o seu correcto funcionamento. O nosso cérebro ocupa 2%  do peso do nosso corpo, no entanto, contem 25% do todo o colesterol existente no nosso corpo. Não é pois uma surpresa considerando a quantidade de funções desempenhadas pelo colesterol na química do cérebro, neurónios e nervos: lubrifica as “synapses” (espaços entre as células nervosas); funciona como antioxidante, protege o cérebro da inflamação causada por radicais livres; funciona como isolante dos impulsos eléctricos (“evita curto-circuitos”); proporciona a estrutura celular necessária para que os neurónios estejam juntos; o seu efeito lubrificante é essencial para a passagem segura dos neurotransmissores.

Um aspecto importante referido neste artigo está no facto do fluído cérebroespinal dos doentes de Alzheimer ser baixo em colesterol comparativamente com indivíduos sem essa condição. Além disso, os indivíduos com baixo colesterol vêm o risco de demência aumentado.

 Pensemos entretanto na orientação desenfreada para baixar colesterol. Quanto não estará a contribuir para o progresso da demência? À media que tem aumentado o consumo de drogas para baixar o colesterol, a par do aumento do consumo de hidratos de carbono, fructose principalmente, têm aumentado os casos de demência.

Em baixo Alois Alzheimer

 Alzheimer e os AGEsAlois_Alzheimer_003

 Os AGEs são produtos da ligação não enzimática entre proteínas e açúcares. A formação destes AGEs prejudica o funcionamento bio-molecular. Os AGEs podem afectar a passagem do LDL para o cérebro dificultando o funcionamento do mesmo.

 

Sem surpresa, os autores deste artigo referem que os doentes com diabetes do tipo 2 (os quais têm maior risco de elevarem o açúcar no sangue) estarão com duas a cinco vezes mais propensos de desenvolverem a doença de Alzheimer. A sugestão está que o problema fundamental reside na dieta alta em hidratos de carbono, baixa em gordura, prejudica a disponibilidade de colesterol no cérebro.

 Alzheimer, Insulina e Beta-Amyloid

 De maneira interessante, os autores do artigo propõem que a doença de Alzheimer seja uma terceira forma de diabetes, diabetes do tipo 3. Num estudo conduzido por cientistas da NorthWestern University, foi descoberto que a proteína encontrada no cérebro dos doentes de Alzheimer remove o receptores de insulina dos neurónios, levando-os a tornarem-se resistentes à insulina, deixando os mesmo de funcionar correctamente e incapazes de levar a formação de memórias. A proteína conhecida por atacar a formação de memórias pelas sinapses é chamada ADDL (Amyloid Beta-derived diffusible Ligand) ou mais simplesmente Beta-Amyloid.

Numa investigação mais recente publicado no “Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism”, referiu que uma pequena dose de insulina administrada directamente no cérebro, por exemplo por spray nasal, podia suprimir à resistência insulínica, levando à entrada de glicose nos neurónios, tal como acontece a acção da insulina nos diabéticos do tipo 2 .

Sendo assim, qualquer situação que leve à resistência insulínica, como os permanentes níveis elevados de açúcar no sangue, característica do consumo de hidratos de carbono, pode levar ao desenvolvimento e progressão da doença.

 Na doença de Alzheimer há resistência à insulina por parte dos neurónios.  Estes não conseguem receber glicose. Não recebendo glicose, não conseguem funcionar. A administração directa de insulina no cérebro vai forçar a entrada de glicose nos nerónios, porem com o tempo estes ficaram cada vez mais resistentes à insulina. Portanto o que é necessário é dar e ensinar os neurónios a usar uma fonte alternativa de energia, entram as cetonas ou ketonas resultantes do metabolismo da gordura.

 Alzheimer, e dieta  

 A dieta de prevenção do Alzheimer terá que ser baixa em hidratos de carbono. A dieta para tratar o Alzheimer terá que ser cetogénica ou ketogénica. Neste tipo de dieta há substituição dos hidratos de carbono por gordura saudável, por exemplo óleo de coco. Este óleo tem facilidade em gerar cetonas o ketonas que funcionarão como combustível alternativo para os neurónios que já não respondem à insulina. Por outro, lado os baixíssimos hidratos destas dietas levam a uma progressiva diminuição da resistência insulínica e consequente melhoria nestes chamados diabetes do tipo 3.

 Alzheimer e a dieta do Paleolítico

A dieta do paleolítico tem todas as condições para prevenir o Alzheimer, por ser baixa em hidratos, principalmente por ser de zero açúcar e fontes do mesmo, por levar a níveis baixos de insulina. Para tratamento do Alzheimer a dieta do Paleolítico tem todas as condições para ter sucesso, no entanto, é necessário reduzir muito mais os hidratos de carbono, retirando qualquer fruta. Comendo, carne, peixe, ovos, com folhas verdes unicamente e cozinhando com óleo de coco ou mesmo tomando óleo de coco. É necessário levar o corpo a formar cetonas ou ketonas.

Resumo: a Alzheimer caracteriza-se por resistência à insulina por parte dos neurónios. Nesta condição os neurónios ficam privados de energia. Trata-se de situação semelhante aos diabetes do tipo 2, mas neste caso unicamente localizada no cérebro. Para tal contribuem os níveis elevados de hidratos de carbono, principalmente a fructose que potencia a formação dos compostos AGEs. Dada a incapacidade dos neurónios receber energia na forma de glicose, é escusado dar-lhe esta fonte de energia, é pois necessário uma fonte alternativa, as cetonas ou ketonas. Estes compostos  só são possíveis de gerar numa dieta ketogénica ou cetogénica. Uma dieta do paleolítico sem fruta e praticamente sem vegetais e muito óleo de coco pode criar um estado ketogénico ou cetogénico. Para potenciar o aparecimento de cetonas ou ketonas devemos reduzir a quantidade de proteína, aumentar a ingestão de gorduras do tipo “MCT oils” e ainda fazer períodos de jejum. O jejum vai obrigar o nosso corpo a produzir cetonas a partir de gordura.