Quem é o culpado? O açúcar!

Book - Fat Switch

“It seems like every time I study an ilness and trace  path to the first cause, I find my way back to sugar”.

Em português: “Parece-me que sempre que estudo uma doença e o caminho para a sua causa primária, eu encontro o meu caminho de retorno ao açúcar”.

Esta frase foi proferida pelo médico Richard J. Johnson, professor na escola médica da universidade do Colorado e chefe da Divisão de Doenças Renais e Hipertensão. Segundo este médico, o açúcar está sempre no caminho das doenças por ele investigadas.

No seu mais recente livro, “The Fat Switch” expõe a ideia, resultante do trabalho de investigação seu e da sua equipa, de que os seres humanos estão equipados com uma espécie de interruptor que se liga para passarmos a acumular gordura.

Historicamente, a maioria de nós julga que acumulamos porque a cultura e civilização ocidental nos encoraja a comermos grandes quantidades de comida e fazermos menos exercício físico. Com base nesta ideia devemo-nos culpar por maus hábitos, comer demasiado e exercitar pouco. No entanto, com base no trabalho do Dr. Richard Johnson, a obesidade é despoletada por um interruptor que é ligado no nosso metabolismo e nos leva a comer mais e exercitar menos.

No origem desta ideia está a investigação feita como especialista em doenças renais e hipertensão. Como é sabido, a causa primária da hipertensão está na dificuldade dos rins excretarem sal.  No resultado da investigação concluíram que o problema estava no defeito existente nos pequenos vasos sanguíneos dos rins. Mas a questão é: o que pode ser a causa deste defeito?

Descobriram então que o maior contributo para esse defeito vinha do ácido úrico. Os níveis elevados do ácido úrico vão danificando os pequenos vasos sanguíneos dos rins e a longo prazo estes vão tendo mais dificuldade em excretar sal, levando a uma das causas da hipertensão. O que levaria aos níveis elevados de ácido úrico? A fructose, que está presente no açúcar comum, na fruta, nos refrigerantes, e hoje em ainda dia, nos alimentos menos insuspeitos de conterem açúcar, bastar olhar com atenção para as etiquetas dos alimentos processados ou industrializados.

O Dr Richard Johnson e a sua equipa de investigação não só encontraram que a fructose leva ao aumento da pressão sanguínea, mas também a outras consequências da síndrome metabólica. Quando esta equipa de investigadores baixou o ácido úrico em animais alimentados com fructose, não só foi possível baixar a pressão sanguínea (tensão arterial), mas também outras características da síndrome metabólica.

Efectivamente a fructose é um dos mais marcados componentes da alimentação do estilo ocidental,  estando presente no açúcar comum, a sacarose, no xarope de milho, e na fruta que insistentemente nos dizem que devemos comer, pois é natural, fresca, tem antioxidantes. Pois é, mas tem fructose!

Os recentes estudos desta equipa mostraram que a forma principal com que o a fructose aumenta a acumulação de gordura é através do aumento do ácido úrico dentro das células. Não na corrente sanguínea, mas precisamente dentro das próprias células. Por exemplo, no fígado é possível ver a forma como a fructose leva ao fígado gordo, através pelo ácido úrico.

O ácido úrico, actua dentro da fonte de energia das células, a “power station”, ou seja, a mitocôndria, ao mesmo tempo que bloqueia a capacidade desta processar gordura, reduz a libertação de energia. Quando as células têm menos energia, comunica ao cérebro para comer mais. Ao mesmo tempo, a impossibilidade de processar gordura, leva então ao fígado gordo

Entre os animais, o peso é altamente regulado. Eles ganham peso para sobreviverem nos períodos de fome ou escassez de alimentos. Quando pretendem acumular gordura para estes tempos difíceis, os animais desenvolvem um fígado gordo, aumentam a gordura no abdómen e tornam-se resistentes à insulina. Sendo assim, desenvolvem as características da síndrome metabólica.

Claramente, o que chamamos síndrome metabólica é uma forma de gordura acumulada. A diferença é que nos humanos estes continuam a acumular gordura, enquanto que os animais desligam o interruptor acumulação para passarem a libertar gordura ou usá-la e o vão fazendo ciclicamente.

O ácido úrico é pois o sinal para acumular gordura e este é elevado pela fructose.

Há 15 milhões de anos houve uma mutação genética que nós humanos herdamos e que faz com que a fructose desencadeie a acumulação de gordura, preparando-nos para períodos de fome ou escassez de alimentos. Esta mutação faz parte do nosso “kit” de sobrevivência. Através desta mutação temos a possibilidade de aumentar o ácido úrico, em resposta à fruta (fructose), e assim acumular gordura.

No entanto, o açúcar (fructose) não era abundante no passado, tendo sido introduzido gradualmente na sociedade, havendo mais fructose disponível hoje em dia que em qualquer outra época.

Existem outros alimentos também capazes de acionar este interruptor, como por exemplo, os alimentos “umami” ou com gosto “savory”, molhos e marisco. Todos os alimentos, para além da fructose, que aumentem o ácido úrico, podem acionar o dito interruptor. No entanto, a cerveja será o grande culpado depois do açúcar.

Depois de ligado o interruptor de acumulação de gordura todos os hidratos de carbono ficam em condições para a se tornarem facilmente em gordura.

O livro “Fat Switch” insiste na relação fructose/ácido úrico como sendo o interruptor para o mecanismo de acumulação de gordura. A ideia é controversa, mas existem dados, suporte histórico no livro, antropologia e biologia celular que em conjunto dão suporte a ideia expressa no livro,

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