A Dieta do Paleolítico

Dieta do Paleolítico: Como os nossos corpos querem ser tratados.

O genoma humano tem mudado pouco nos últimos 40.000 anos, menos de 0,02%. Os nossos ancestrais desenvolveram práticas agrícolas há cerca de 10.000 anos atrás. O advento da agricultura marcou um período caótico para os nossos corpos tentando obrigá-los a esses alimentos estranhos. O registo fóssil mostra uma diminuição maciça da altura média, da saúde e um rápido aumento das doenças, da obesidade, nas populações que sobreviveram à transição do estilo de vida caçador-recolector para uma dependência da agricultura. Mulheres com uma dieta alta em grãos (cereais) e outros hidratos de carbono, amadurecem mais cedo do que as suas  homólogas dos caçadores-recolectores; o que provocou um boom na população. Sem este crescimento significativo da população, a nossa dieta, tal como a conhecemos, poderia ser a mesma de antes do advento da agricultura – a dieta para a qual os nossos corpos estão preparados.

A dieta dos nossos ancestrais pré-agrícolas consistia em carnes, peixe, marisco,  insectos, vegetais, frutas e nozes (nozes aqui refere-se a frutos secos que ficam dentro de uma casca dura). O advento da agricultura trouxe-nos batatas, leguminosas (ou seja, amendoim, feijão, grão, ervilhas, favas, lentilhas e soja), grãos (ou seja, milho, trigo, arroz, cevada, centeio e aveia) e alimentos processados (ou seja, açúcar, pão, bolos, bolachas, doces, álcool, etc). Além disso, temos modificado as nossas plantas para produzirem frutos maiores e mais doces (maior teor de açúcar).O melhor exemplo disso é o mirtilo.

Compare um mirtilo silvestre do norte de Portugal, Trás-dos-Montes, Minho, ou Serra da Estrela, com o mirtilo moderno do supermercado e você vai ver uma diferença notável.O mirtilo silvestre é pequeno e contém pouco açúcar.É preciso um punhado de frutos silvestres para igualar a doçura de dois ou três grandes frutos comerciais. No entanto,  num punhado de frutos silvestres você está recebendo uma quantidade muito maior de antioxidantes e nutrientes do que você receberia por comer bagas comerciais, vendidas no supermercado. Os agricultores não cultivam a fruta para ser mais nutritiva, apenas para  a fruta saber melhor. Esta analogia pode ser feita para a maioria dos nossos alimentos modernos.

Doenças crônicas: estão relacionadas com a alimentação?

Uma dieta rica em legumes, leite e seus derivados, hidratos de carbono e grãos (cereais) pode fazer-lhe mal. Porque é que uma dieta rica em alimentos pós-agrícultura e é prejudicial para a nossa saúde. Porque esses alimentos são estranhos ao nosso corpo. Os nossos genes não tiveram tempo, nem pressões evolucionárias para se adaptarem a esses novos alimentos.Vamos examinar as razões:

Leguminosas:O feijão pode ter sido apontado como saudável, com proteínas e  alternativa à carne. O facto de que pode causar desconforto gastrointestinal deve ser suficiente para a nossa preocupação. Maioria das leguminosas são venenosas se comidas em cru. As leguminosas são ricas em lectinas, em inibidores de protease e fitatos. As lectinas são proteínas que se ligam aos hidratos de carbono, foram identificadas como sendo inflamatórias e tóxicas, e têm um relacionamento causal com doenças auto-imunes tais como: a artrite reumatóide, diabetes tipo I, e lúpus. Fitatos ou ácido fítico, mostraram inibir a absorção de minerais, tais como cálcio, magnésio, ferro e zinco no trato digestivo. Além disso, a presença de inibidores de protease, interfere com a degradação de proteínas em aminoácidos. Os vegetarianos que procuram proteínas das leguminosas, podem realmente estar a fazer as suas deficiências ainda piores! Uma dieta rica em legumes, na melhor das hipóteses, vai dar-lhe problemas gastrointestinais e pode resultar em uma deficiência de minerais. Na pior das hipóteses, uma dieta rica em legumes poderá induzir numa resposta “auto-imune”. Além disso, a indústria da soja foi-nos empanturrando com a ideia dos “benefícios da soja para a saúde”. Como resultado, a maioria dos alimentos processados contêm um aditivo de soja ou de um subproduto desta, com efeito, os nossos alimentos estão entranhados com possíveis toxinas.

Hidratos de Carbono:“Carbo-loading” tornou-se sinônimo de saudável. Mas são os alimentos ricos em hidratos de carbono realmente bons para nós? Dr.Wolfgang Lutz (autor do livro “Life Without Bread”) da Áustria diria que não. A sua experiência clínica com centenas de pacientes sugere que dietas ricas em hidratos de carbono são realmente prejudiciais para a nossa saúde. Na opinião do Dr. Lutz os hidratos de carbono são os componentes não naturais e nocivos da nossa dieta, danificando a camada da mucosa do tracto gastrointestinal. Uma vez a mucosa danificada, os antigénios são  livres para entrar na corrente sanguínea e causar todo o tipo de respostas imunes. (segundo o wikipédia: Um antigénio(português europeu) ou antígeno (português brasileiro) é toda a partícula ou molécula capaz de iniciar uma resposta imune, a qual começa pelo reconhecimento pelos linfócitos e acumula com a produção de um anticorpo específico) Mas não são os hidratos de carbono essenciais para uma dieta saudável? A resposta é não, e não!. Sam Singer, na biologia do Povo escreve: “As exigências do cérebro de energia podem ser atendidas por entre 100 e 145 gramas de glicose por dia, e a maioria das dietas contém bastantes hidratos de carbono para fornecer o cérebro e outros tecidos com esta quantidade de glicose numa base diária. Mas, mesmo em caso de alterações na dieta de uma pessoa, de modo que nunca mais contenha esta quantidade de hidratos de carbono, a concentração de glucose no sangue não será alterada. Isto porque o processo de selecção natural criou formas do nosso corpo criar glicose a partir de outras fontes para além dos hidratos de carbono – é completamente desnecessário comer hidratos para que haja uma fonte de glicose. Por outro lado, é possível que as cetonas resultantes da gordura do nosso tecido gordo e da gordura ingerida, sejam usadas como fonte de energia. As nossas células podem usar cetonas ou ketonas como fontes de energia. A conversão desses componentes da dieta em glicose é tão eficaz que guerreiros Masai, esquimós, gaúchos da América do Sul, e outros povos podem viver por longos períodos de tempo suportados em alimentos que são exclusivamente de origem animal e que quase não contêm hidratos de carbono. Essas pessoas são vigorosas e saudáveis, e podemos aprender com os seus hábitos alimentares que os hidratos de carbono na dieta não são essenciais, porque elas têm níveis normais de glicose no sangue, apesar do facto de que as suas dietas serem quase sem hidratos de carbono. Algumas descobertas recentes publicadas em revistas científicas também têm demonstrado uma relação entre hidratos de carbono na dieta e doenças.Um estudo publicado na Lancet mostrava terem encontrado um risco aumentado de cancro de mama na mulher, quando a ingestão de hidratos de carbono. Um estudo publicado no PNAS demonstra que as células cancerosas têm dependência de glicose. As células tumorais só conseguem obter energia a partir da glicose. As células normais, boas, conseguem obter energia a partir de cetonas ou ketonas. Se privarmos as células tumorais de glicose, estas não têm forma de sobreviver. 

Nutrição do Paleolítico: Orientações

O princípio de uma dieta paleolítica é simples: comer apenas os alimentos dos nossos antepassados paleolíticos. Antes de comer um alimento em questão, pergunte a si mesmo, será que este alimento é comestível em estado selvagem, na ausência de tecnologia? Comestível é a chave para este princípio, porque elimina alimentos como batatas e legumes que necessitam de cozimento, ou fermentação, ou processamento antes de comê-los. Este princípio também elimina o pão (todo o tipo de pão), grãos (cereais) e alimentos processados.

Alimentos não permitidos

Açúcares

Não coma açúcar, melaço, sacarose, xarope de milho (que é rico em frutose), frutose, ou qualquer açúcar processado.

Grãos (cereais)

Todos os grãos não são permitidos, tais como: milho, trigo, gérmen de trigo, cevada, aveia, centeio, arroz, trigo, e outros. Leguminosas não são permitidas: isto inclui amendoim, feijão e soja. Alimentos ricos em amido não são permitidos, tais como: batatas, inhame, e nabo. Derivados de algas marinhas, tais como o agar e carragenina, não são permitidos.

Carnes

Carnes processadas vão cair em uma zona cinzenta: fazer todo o possível para tentar escolher carnes processadas sem conservantes. Certifique-se de carnes processadas não contêm qualquer aditivo prejudicial, tais como o milho, produtos de milho, amido e açúcares. Bacon não curado pode ser encontrado a partir de uma charcutaria ou produtor local. Vá às feiras e compre enchidos, presuntos, e outras carnes processadas sem aditivos para conservar.

Leite e seus derivados

Produtos lácteos (leite e seus derivados) não são permitidos. A manteiga “ghee” é permitida porque é só gordura, nesta as proteínas do leite foram retiradas.

Miscelândia

Outros alimentos que não são permitidos incluem: café, castanha de caju, macarrão, pão, outros alimentos ricos em amido, óleo de canola, óleos vegetais, excepto o azeite e óleo de coco, a maionese comercial (por causa de aditivos, faça maionese caseira), sorvetes, gelados, doces, chocolate, alfarroba, pó de soro de leite, margarina, ketchup comercial, fermento em pó, nozes mistas, refrigerantes, cerveja, vinho, outras bebidas alcoólicas.

Alimentos permitidos

Não há restrições de quantidades na carne, peixe, marisco e folhas verdes.

Açúcares

O mel é o único produto adoçante permitido. Use pequenas quantidades de mel. Mas se o bjectivo é perder peso, então não use o mel até chegar ao peso pretendido e depois tem de ter muito controle sobre o mesmo. Não é por ser natural que o mel não engorda.

Vegetais (não são legumes)

A maioria dos produtos hortícolas, frescos ou congelados e crus ou cozidos, são permitidos incluindo: aspargos, bróculos, couve-flor, couve de bruxelas, couve, ruibarbo, alho, alho francês, aipo, alface, espinafres, cogumelos, cebolas, agrião, grelos. Ou seja, tudo quanto seja folha de plantas, desde que seja comestível.

Carnes

Todas as carnes não processadas, tais como: carne bovina, carne de porco, frango, peru, codornizes, avestruz, peixes, mariscos, carne de cordeiro, carne de veado, coelho e ovos.Caça selvagem é o preferido, assim como, ovos de galinhas de criação livre. Algumas carnes processadas são permitidas, mas para muitas é necessário escrever cartas para os fabricantes para verificar a ausência de aditivos restritos. Daí será melhor comprar a um fabricante local, que não coloca aditivos para as conservar. Muitas carnes processadas têm amido, soja, milho, açucares, e produtos ou  alimentos não permitidos. Este tipo de alimento, as carnes processadas, não são totalmente proibidos, só não devemos torná-los um alimento frequente.

Frutas

A maioria das frutas são permitidas, tais como: abacate, maçãs, tomates, azeitonas, damascos, bananas maduras, cocos, bagas, cerejas, frutas cítricas, pêssego, pêra, frutas tropicais, e uvas. (mas se quiser perder peso, não deve abusar da fruta. Uma por dia é suficiente)

Nozes

A maioria das sementes do tipo noz e comestíveis são permitidas, tais como: Amêndoas, castanhas do Brasil, castanhas, macadâmias, avelãs e nozes. Lembre-se, o amendoim não é tecnicamente uma noz, é um feijão. A Castanha de caju em forma bruta contêm uma toxina e não é permitida, mesmo depois de processada.

Miscelândia:

Os seguintes alimentos são permitidos: banha, azeite, óleo de coco, chá, mostarda e sumos com polpa e sem aditivos. (se quiser perder peso, os sumos devem ser muito restritos).

Novamente, se você está tentando perder peso, vá com cuidado relativamente as fontes de hidratos de carbono. A fruta deve ser consumida de forma muito, muito limitada. O homem do paleolítico não tinha acesso a frutas da forma como temos hoje em dia. 

Fontes: Livro: “NeanderThin, Ray Adudette”. Livro: “The Paleo Diet, Lorein Cordain”. Livro: “The Paleo Solution, Robb Wolf”. Livro: “Food and Western Disease, Staffan Lindeberg”. Artigo: Paleolithic researchers S. Boyd Eaton, MD, and M. Konner, PhD, cited in the New England Journal of Medicine(“Paleolithic nutrition: a consideration of its nature and current implications.” 1985: N. Eng. J. Med. 321, 283–289):

Sites:

http://paleodiet.com/

http://robbwolf.com/what-is-the-paleo-diet/

PaleoFood.com -great paleolithic recipes.
Neanderthin.com -the website of the book.
TheBear.org -essay about Vilhalmur Stefansson and the ‘Eskimo’ diet.
Great Site Detailing Our Evolutionary Diet

 

 

Tornar o corpo numa máquina de queimar gordura. As calorias não são todas iguais!

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