AGE

Certamente já ouviu falar de AGE. Terá sido no sentido de idade e envelhecimento. Pois este AGE não tem esse significado, mas tem tudo a ver com envelhecimento.

O que significa então AGE? Este é o acrónimo de “Advance Glycation End-products”. É o nome dado ao que endurece as artérias, enevoa as lentes dos nossos olhos (cataratas), destrói as ligações entre os neurónios no cérebro e é encontrado em grandes quantidades em indivíduos idosos. Quanto mais envelhecemos mais AGE poderão ser recuperados nos rins, olhos, fígado, pele e outros órgãos. Podemos ver o efeito destes AGE nas rugas da pele, na opacidade leitosa das cataratas, nas artrites das mãos, em todas as manifestações de envelhecimento.

Os AGEs são estilhaços, detritos, que resultam na decadência dos tecidos e vão-se acumulando. Não proporcionam qualquer função útil: não podem ser usados para energia, não proporcionam lubrificação, não assistem as enzimas ou hormonas.

Para além dos efeitos já vistos, a acumulação dos AGEs nos rins leva à sua incapacidade de funcionamento, de remover o desperdiço e reter a proteína, leva ao endurecimento das artérias e ateroesclorese com acumulação de placa nas artérias, leva ao endurecimento e deterioração das cartilagens.

As hérnias discais resultantes da degradação dos discos, não resultam só de esforços, pesos tensões e torções na coluna, resultam também da formação dos AGEs. Os nossos discos seriam mais resistentes se não houvesse degradação dos mesmos por via da formação dos AGEs.

Qual  a sequência de eventos que leva à formação dos AGEs? Ingerimos alimentos que aumentam a glicose do sangue (os hidratos de carbono). O elevado nível de glicose no sangue permite que as moléculas de glicose se combinem (glicar/glycation) com as proteínas formando os referidos AGEs. Uma vez formados é irreversível.

Os AGEs formam restos, detritos, acumulam-se e são resistentes a qualquer processo digestivo, de depuração ou limpeza natural do corpo.

Quanto mais alta for a glicose no sangue mais AGEs se formam e maior será o envelhecimento dos tecidos aonde estes se formam.

Os diabéticos são o exemplo do mundo real ao terem os níveis de glicose elevados, infelizmente também têm cinco vezes mais probabilidades de terem doenças das artérias coronárias ou ataques cardíacos. 44 por cento terão ateroesclorose da carótida ou de outra artéria fora do coração e 20 a 25 por cento desenvolverão deficiência na função renal ou até falência renal, em média onze anos após o diagnóstico.

De facto, os níveis altos de glicose durante vários anos garantirão o desenvolvimento de complicações várias.

Com os níveis altos de glicose de forma continuada nos diabéticos, também ficará garantida a alta formação dos AGEs. Assim, os diabéticos têm mais 60 por cento no nível de AGEs no sangue em comparação com os não diabéticos.

Nos diabéticos, os AGEs são responsáveis pela maior parte das complicações, desde a neuropatia (destruição dos nervos e perda de sensibilidade nos pés), a retinopatia (deficiência de visão e cegueira) até a nefropatia (doenças renais e insuficiência renal).

Os AGEs também se formam quando os níveis de glicose são normais porém a uma taxa mais reduzida, muito menos elevada. Portanto, a formação normal dos AGEs caracteriza um envelhecimento normal que faz com que alguém com sessenta anos pareça-se com sessenta anos.  Bastará um pouco mais de glicose no sangue e haverá um incremento na formação dos AGEs, ou seja, no envelhecimento.

Mas história dos AGEs não acaba aqui. Os seus níveis altos no sangue disparam o stress oxidativo e à inflamação, indo despoletar uma resposta inflamatória levando às doenças do coração, cancro, diabetes e mais.

Enquanto os ovos não aumentam os níveis de glicose no sangue, nem as nozes em bruto, nem o azeite, nem as costeletas, os hidratos de carbono aumentam. Duas fatias de pão integral podem elevar a glicose para 167mg/dl, uma hora depois de ingeridas. Mesmo os hidratos de carbono complexos contidos no pão integral, embora complexos, contem um hidrato de carbono próprio do tirgo, a “amylopection A”.  Esta forma de “amylopection” é bastante digestiva através da enzima “amylase”, explicando assim porque os alimentos de trigo e outros cereais fazem disparar os níveis de açúcar no sangue.

Existe um teste disponível que não é capaz de avaliar a idade biológica, mas proporciona a taxa biológica de envelhecimento devido à “Glycation”. Sabendo de que forma rápida ou lenta nós estamos a “glicar” as proteínas do nosso corpo (formação dos AGEs), saberemos se o envelhecimento biológico está mais rápido ou lento em relação à idade cronológica. Enquanto os AGEs podem ser acedidos por via de uma biópsia à pele ou outro órgão interno, maior parte das pessoas serão menos entusiastas em terem um par de fórceps inseridos numa cavidade do corpo para retirar um pedaço de tecido para avaliar os AGEs. Graças a um teste simples podemos avaliar a taxa de formação dos AGEs: a hemoglobina glicada ou glicosada “hemoglobina A1c”, ou “HbA1c”. Um valor normal será entre 4 e 4.8. Os diabéticos terão valores de 8,9 ou até 12. Para 70 por cento dos americanos esse valor andam por volta de 5.0 e 6.9, acima dos desejáveis 4.

As lentes dos nossos olhos são um sistema admirável de engenharia óptica, porém consistem numa estrutura de proteínas chamadas cristalinos, e tal como todas as outras proteínas ficam sujeitas à “glycation”, à formação de AGEs. Ao longo dos anos os AGEs tornaram opacas estas lentes. A relação entre cataratas e os AGEs estão bem definidas. As cataratas podem ser produzidas em 90 dias, em animais de laboratório, mantendo-lhes os níveis de glicose altos. Os diabéticos são bastante propensos às cataratas, sem surpresa aqui.

Um baixo valor de “HbA1c” significará que o processo de promoção de envelhecimento (formação dos AGEs), estará a uma taxa baixa também. Estaremos menos propensos à formação de cataratas, rugas, artrites, ateroesclorose e todas as outras pragas relacionadas com a formação dos AGEs, aonde se inclui também a disfunção eréctil. Os AGEs são depositados no porção do tecido do pénis responsável pela erecção (corpus carvernosum), anulando a possibilidade de crescimento por via do preenchimento por sangue e que levaria à erecção.

Em conclusão: Todos nós envelhecemos mas as fontes de glicose, fructose e galactose,  e todos os outros ‘oses’, fazem-nos envelhecer mais rapidamente.

Fonte : livro: “Wheat Bellly”, by William Davis, MD.

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