Cereais(pão)

                          Estômago de um ruminante com quatro câmaras – preparado para cereais

Pão como o top dos cereais na nossa alimentação.

Grande parte da nossa alimentação tem por base os cereais ou mais precisamente derivados de cereais, sendo o pão o seu expoente máximo. No entanto, os cereais e seus derivados não são uma boa opção para o homem. Porquê? Seguem as repostas abaixo:

O homem existe há 200.000 anos, a agricultura surgiu há cerca de 10.000 anos. Para consumirmos cereais temos que ter agricultura intensiva.  Segundo a wikipedia, os cereais foram domesticados há 11.000 anos na região do crescente fértil, aonde se situam os actuais Egipto, Israel, Cisjordânia, Iraque, Síria e parte da Turquia.

Comparando a idade do homem, os seus antepassados anteriores aos 200.000 anos, o seu processo evolutivo, podemos afirmar que não houve ainda tempo para nos adaptarmos aos cereais. Uns estarão mais adaptados que outros. A falta de adaptação, por vezes é silenciosa, ou manifesta-se de forma insuspeita através de doenças auto-imunes.

A existência de inadaptação aos cereais é hoje reconhecida através da doença celíaca ou intolerância ao glúten presente nos cereais. Mas esta doença é só a ponta do iceberg e demorou tempo até ser aceite. Além da doença celíaca existe também a sensibilidade ao glúten que não se manifesta em problemas intestinais, porém causa danos variados na nossa saúde, estando ligada a várias doenças auto-imunes.

Os cereais engordam porque têm um tipo de hidrato de carbono complexo, a “amylopectin”, que é rapidamente convertido em glicose e absorvido na corrente sanguínea. No caso do trigo a “amylopectin” presente é a “A”. Este hidrato de carbono complexo eleva a glicose do sangue para além de um nível superior ao da sacarose (açúcar vulgar). À parte de alguma fibra extra, comer duas fatias de pão de trigo completo(integral), tem pouca diferença em relação a beber um refrigerante . Por outro lado, a “amylopectin” tem efeito estimulante no apetite. Quem eliminar os cereais, principalmente o trigo, passa a comer menos.

Os niveis altos de açúcar no sangue induzidos pelos cereais promovem a formação dos compostos AGE e todas as consequências dos mesmos. Veja a página neste site sobre “AGE“.

Os cereais causam dependência. Não é invulgar algumas pessoas não conseguirem deixar de comer pão. E outros quando deixam, experimentam fatiga extrema, nevoeiro mental, irritabilidade e até depressão. Mostra-nos assim, o quanto o pão pode interferir no nosso organismo. Este tipo de interferência é sem dúvida semelhante ao de uma droga. 

A relação entre o consumo de trigo e a esquizofrenia, por exemplo,  foi estabelecida durante a segunda guerra mundial. Os homens e mulheres da Finlândia, Noruega, Suécia, Canada e EUA, tinham menos hospitalizações por esquizofrenia quando havia falta de pão. A mesma relação foi estabelecida pelo Dr. Dohan quando estudou as populações da Nova Guiné. Antes da entrada dos cereais havia menos casos de esquizofrenia neste território.

A explicação é a seguinte: o glúten é degradado em polipéptidos que penetram na barreira “blood-brain” e tendo entrado no cérebro, estes polipéptidos ligam-se aos mesmos receptores da morfina, os mesmos aos quais se ligam os opiáceos, daí a dependência semelhante aos opiáceos.

Os cereais interferem na permeabilidade do intestino. Este é suposto não ser permeável, mas a proteína “gliadin” presente no glúten, despoleta a proteína “zonulin” que regula a permeabilidade do intestino. Quando a “zonulin” é libertada, esta rompe as junções da barreira intestinal e entra na corrente sanguínea – aquilo que não devia acontecer. Intrusos entram na corrente sanguínea e vão causar interferência no sistema imunitário levando a doenças auto-imunes, tais como o síndrome de Hashimoto e artrite reumatóide. Muitas outras doenças são causadas pelo facto do sistema imunitário ser confundido, ser baralhado por proteínas que não deviam estar na corrente sanguínea, mas surgem aí pelo facto da “gliadin” ter aberto a porta. Estas proteínas intrusas imitam agressores e fazem com que o sistema imunitário ataque os próprios tecidos, se mesmas entretanto ligarem-se aos tecidos de vários órgãos. Ou seja, muitas das chamadas doenças auto-imunes têm origem no consumo de cereais.

Artrite. Esta maleita que afecta por vezes jovens, mas principalmente idosos, tem sido referida, como uma das cujos sintomas revertem ao deixar-se os cereais. Veja este link:http://robbwolf.com/2012/05/07/medically-confirmed-rheumatoid-arthritis-remission/

http://robbwolf.com/2011/12/12/testimonial-my-journey-with-rheumatoid-arthritis-and-ankylosing-spondylitis/

Alzheimer. Outra maleita que tem sido referida como uma manifestação de intolerância ou sensibilidade ao gluten. Veja este link: http://archneur.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=792544

Os cereais são um grande desregulador da acidez do corpo humano (pH). Este, o corpo humano,  desenvolve um esforço enorme para manter o pH em 7.4, porém os cereais fazem-no deslocar-se no sentido ácido. Desta forma, acabamos por excretar mais cálcio, magnésio, ferro, zinco e outros metais sob a forma de sais. Depois temos falta de cálcio e dizem-nos para bebermos leite, quando o problema do saldo da conta de metais essenciais não está na falta de créditos, mas sim no débito excessivo (excreção), resultante da acidez.

Os cereais contêm ácido fítico “Phytic acid”, que se ligam aos metais essenciais, funcionando como um anti-nutriente.

ácido fítico

                                                                                                       Inibidor enzimático

Cereais integrais versus farinha refinada. O pão de farinha refinada, muito branquinha faz elevar o açúcar do sangue quando comparado com o pão de farinah integral, por causa da falta de fibra, por causa da rapidez com que transforma em glicose. Porém, a farinha integral contém mais proteínas do tipo atrás referido, potenciam os danos causados por estas proteínas. Na farinha integral, a carga de ácido fítico também e danos a este inerente. 

A barriga de cerveja. Esta referência não podia estar mais correcta, sendo a cerveja um produto de cereais. Porém, muitos dos acusados afirmam não beber cerveja. Então, não será do trigo? Muitos dirão: “Eu como pouco pão”. Mas também podem ser os cereais do pequeno almoço. Estes além do trigo, têm açúcar adicionado – uma bomba, escondida como integrais, fitness, etc. O pouco pão é sempre relativo. A reacção de cada indivíduo a uma mesma fatia de pão, não é igual. O nível de açúcar atingido varia de indivíduo para indivíduo, mas em todos o nível de açúcar sobe, desencadeia o mecanismo infernal da insulina e acumulação de gordura.

Seios proeminentes nos homens. Tem-se tornando cada vez mais frequente o aparecimento de seios dilatados em homens. Nos USA são cada vez mais frequentes as operações plásticas para reduzir os seios feitas por homens. Nalguns casos rivalizando com as mulheres. Como estes casos são acompanhados de uma barriga dilatada, a proeminência dos seios fica encoberta – a barriga é mais dilatada que os seios. O que acontece é que o trigo provoca acumulação de gordura visceral, gordura nos orgãos internos. Esta acumulação para além de outros perigos, aumenta a produção de estrogénio, a hormona feminina. Daí o aumento dos seios.

Os cereais provêm das sementes, meios de reprodução das plantas. Sendo as sementes a forma de uma planta perpetuar a sua espécie é normal que sejam colocados nas sementes anti-nutrientes de irão prejudicar os seus predadores, doutra forma a espécie ficaria em risco de desaparecer. Estas substâncias, principalmente proteínas, fazem parte do seu sistema de defesa e perpetuação da espécie. As plantas não podem fugir dos predadores, tal como é possível aos animais.

Todos os alimentos que têm origem em sementes ou do processo de reprodução de plantas, têm que ser escolhidos com cuidado para evitar a ingestão de proteínas que nos vão prejudicar.

 Farinhas alternativas: farinha de amêndoa, farinha de coco, farinha de couve-flor.

Em conclusão: todos os alimentos com origem em cereais, com o trigo à cabeça, são impróprios para o homem. Caso tenha uma doença auto-imune esta pode estar a ser despoletada pelas proteínas dos cereais, para as quais não estamos preparados. 

Os cereais afecta-nos negativamente a todos. Funcionamos todos da mesma forma. A diferença está na sensibilidade de cada um. Uma fatia de pão sobe o açúcar do sangue em todos, mas o nível atingido varia de indivíduo para indivíduo, aí entra a genética de cada um. A resposta ao nível de açúcar por parte da insulina, acontece em todos, mas o nível de resposta é diferente. O tempo que demora o açúcar a diminuir no sangue também varia de indivíduo para indivíduo. O mesmo acontece em relação às proteínas perigosas que os cereais trazem. São perigosas para todos, sendo uns mais sensiveis que outros. Porém, se pensarmos que não estamos a ser prejudicados por essas proteínas, o que pode acontecer é não termos conhecimento de aonde estamos a ser perjudicados. O leque de interferência dessas proteínas é vasto; sendo até a perda de cabelo “Alopecia areata” uma doença auto-imune provocada pelo trigo.

 

Fonte: Livro: Wheat Belly, by William Davis, MD.

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