Leite e derivados

O homem é único mamífero que insiste em beber leite até morrer. Mais precisamente, o homem ocidental ou com alimentação do estilo ocidental.

Outras populações, que continuam a sua alimentação tradicional de caçadores-recolectores, ou que simplesmente não bebem leite, não padecem de muitas das doenças ocidentais. Veja-se como exemplo os Kitava da Nova Guiné, ou alguns povos asiáticos que tradicionalmente não bebem leite.

 Na natureza, um bezerro tem que crescer rapidamente para poder fugir ou defender-se dos predadores. O leite da “mãe vaca” é então uma “bomba” de proteínas de crescimento, para as quais, nós humanos, não estamos preparados.

Além da descarga de proteínas, o leite de vaca transporta também uma carga de hormonas bovinas visto que as vacas leiteiras estão sujeitas a gravidezes sucessivas para irem produzindo leite. Outra “bomba” hormonal, de vaca.

As “bombas” de proteínas e hormonas de vaca estão presentes no leite e em todos os seus derivados, desde os iogurtes aos queijos e problema não se resume só ao leite de vaca.

O único leite apropriado para os humanos é o leite humano e só durante o nosso período de amamentação.

Já ouviu falar do síndrome de Laron?

     - Os indivíduos com este síndrome têm uma mutação genética no receptor da hormona de crescimento (growth hormone). Esta mutação leva a uma deficiência congénita severa, nos níveis de outra hormona chamada “Insulin Growing Factor-1, IGF-1”.Ou seja, estes indivíduos têm problemas de crescimento, e ao mesmo tempo têm o IGF-1 sempre muito baixo ou inexistente. 

     Um estudo feito por “Guevara-Aguirre et al”  junto de uma população Equatoriana de 99 indivíduos com síndrome de Laron, notou que os casos de cancro, diabetes tipo 2 e acne eram inexistentes. O que leva a concluir que os níveis baixos ou inexistentes de IGF-1 protegem os indivíduos com síndrome de Laron, infelizmente para estes, têm outros problemas.

      Os indivíduos com este síndrome são tratados com administração artificial de IGF-1. Muitas vezes, até se acertar na dose de IGF-1, há uma administração exagerada de IGF-1 e logo os pacientes passaram a ter acne, o que não tinham anteriormente quando o IGF-1 era nulo ou quase nulo.

 O que é que o IGF-1 tem a ver com o leite e seus derivados?

      - O leite e seus derivados são promotores dos níveis de IGF-1,  promovendo ao mesmo tempo, as doenças ausentes no síndrome de Laron.

     Além de promover o IGF-1, o leite e seus derivados tem também um comportamento insulinotrópico, isto é, eleva os níveis de insulina. Sendo a insulina a hormona fundamental na acumulação de gordura, o leite apesar de baixo em hidratos de carbono (açucares), promove a obesidade. Além disso, os níveis altos de insulina e IGF-1, interferem na Apoptose, o processo automático de eliminação das células copiadas  ou clonadas em erro e que podem degenerar em cancerígenas. Com a insulina alta e o IGF-1 alto estamos a promover o cancro.

       Da lição que aprendemos através do estudo daqueles que padecem do síndrome Laron, podemos concluir que o leite e seus derivados não são alimento apropriado para o homem.

 Fonte: “Over-stimulation of insulin/IGF-1 signaling by western diet may promote diseases of civilization: lessons learnt from laron syndrome”

Bodo C Melnik,Swen Malte John, and Gerd Schmitz

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3141390/

 Já ouviu falar na dieta de Sippy?

 A dieta de Sippy foi inicialmente descrita por John Herr Musser and Aloysius Oliver Joseph Kelly, no inicio de 1900s. Mais tarde em 1915, o médico americano Bertram Welton Sippy, publicou a sua dieta para tratar úlceras pépticas. A dieta ganhou o nome deste médico e consistia no consumo, hora a hora, de leite e natas. O leite e as natas têm um pH básico que neutralizava a acidez do estômago, dando uma sensação de alivio. Hoje sabe-se que há uma bactéria causadora destas úlceras, a HELICOBACTER PYLORI.

Mais tarde, nos anos 60, um estudo feito a três grupos de doentes autopsiados, concluiu que os doentes tratados com esta dieta tinham uma incidência duas vezes maior de infartes do miocárdio. A dieta foi lentamente abandonada, embora ainda hoje seja comum dizer-se: “Estou com azia vou tomar um copo de leite”.

Da lição aprendida com os doentes que praticaram a dieta de Sippy podemos concluir, mais uma vez, que o leite e seus derivados não são próprios para a alimentação humana.

Fonte: “Myocardial Infarction in Patients Treated with Sippy and Other High-Milk Diets An Autopsy Study of Fifteen Hospitals in the U.S.A. and Great Britain”

http://circ.ahajournals.org/content/21/4/538

3 thoughts on “Leite e derivados

  1. Really liked what you had to say in your post, Leite e derivados | Emagrecer a comer, thanks for the good read!
    — Florence

  2. eu cresci ouvindo que o leite é uma grande fonte de calcio e sem ele nossos ossos pode ficar muito fracos…..como vcs explica isso?eu hoje tenho 44 anos,platico esporte e tomo leite toda noite….(platico musculação preciso de proteinas)

    1. Olá,
      A proteína necessária pode vir da carne, ovos e peixe.
      O homem é único mamífero que insiste em beber leite dos outros animais e até muito tarde.
      Se o leite fosse efectivamente necessário durante toda a vida, os outros mamíferos teriam problemas pela falta de leite.
      O leite dos outros animais tem proteínas próprias para fazer crescer os respectivos animais.
      Quanto ao cálcio, a possível falta de cálcio que algum humano tenha tem a ver com a perda desse cálcio e não pela falta de leite.
      Se fizermos uma alimentação que não promova a perda, então não precisaremos de uma dose extra de cálcio.
      A máquina humana é bastante perfeita e tem milhares de anos de evolução. Nessa evolução não consta beber leite até adulto.
      Cumprimentos,

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